Comunidade José Cardijn
Compromisso, Espiritualidade, Solidariedade, Luta ao lado dos Oprimidos e Lazer Ecológico Comunitário.
23 Janeiro 2007
"a única coisa a fazer é cair fora do Iraque"
Carta de Michael Moore ao povo dos EUA No último dia 27 de novembro, o cineasta Michael Moore publicou, em sua página na internet (http://www.michaelmoore.com/words/message/index.php?id=202), uma carta dirigida ao Congresso e ao povo dos Estados Unidos. Nela, ele defende, entre outras coisas, que "a única coisa a fazer é cair fora do Iraque". Além de exigir a retirada total e imediada das tropas americanas de ocupação do Iraque, Moore também defende que o país árabe seja indenizado pela ocupação. Leia abaixo a íntegra da carta. "Amigos, Hoje (27/11) marca o dia em que permanecemos no Iraque mais tempo que aquele que levamos para combater na Segunda Guerra Mundial. É isso mesmo. Nós fomos competentes para derrotar a Alemanha Nazista, Mussolini e o Império Japonês inteiro em menos tempo que a única superpotência mundial gastou para tentar tornar segura a estrada que liga o aeroporto de Bagdá ao centro da cidade. E nós não conseguimos fazer isso. Após 1.437 dias, no mesmo tempo que levamos para irromper pela África do Norte, conquistar as praias da Itália, conquistar o Pacífico Sul e libertar toda a Europa Ocidental, nós não pudemos, após 3 anos e meio, conquistar sequer uma simples estrada e proteger a nós mesmos de bombas caseiras, feita de latinhas, colocadas em buracos nas rodovias. Sem contar que uma viagem de táxi do aeroporto até Bagdá, de 25 minutos, custa 35 mil dólares e o motorista não te dá sequer um mísero capacete para sua proteção. A culpa desse fracasso se deve a nossas tropas? Dificilmente. Não importa o quanto de tropas, de helicópteros ou de democracias nós cuspamos das nossas armas, nada irá "vencer a guerra no Iraque". Ela é uma guerra perdida. Perdida porque jamais teve o direito de ser vencida, perdida porque começou por homens que jamais estiveram em uma guerra, homens que se escondem atrás daqueles que foram enviados para lutar e morrer.. Vamos ouvir o que o povo iraquiano está dizendo, de acordo com uma pesquisa recente feita pela Universidade de Martland: - 71% de todos os iraquianos querem os EUA fora do Iraque. - 61% de todos os iraquianos apóiam os ataques da resistência contra as tropas americanas. Sim, a vasta maioria dos cidadãos iraquianos acham que nossos soldados devem ser mortos e massacrados! Então, o que diabos nós ainda estamos fazendo lá? Vamos interpretar como se não tivessemos compreeendido a deixa? Existem diversos modos de libertar um país. Freqüentemente os cidadãos se rebelam e se libertam a si próprios. Foi assim que nós fizemos. E você também pode fazer isso de modo não violento, usando a desobediência civil. Foi assim que a Índia fez. Você pode também fazer com que o mundo inteiro boicote o regime de um país até que ele caia no ostracismo e capitule. Foi isso que aconteceu com a África do Sul. Ou, você pode simplesmente esperar que eles cansem e caiam fora, cedo ou tarde, como as legiões do rei fizeram (Algumas só porque estavam com muito frio). Isso aconteceu no vizinho Canadá. O único modo que não funciona é invadir um país e dizer a seu povo "Estamos aqui para libertar vocês", enquanto eles não faziam nada para libertar-se. Onde estavam todos esses homens suicidas enquanto Saddam Hussein oprimia o povo? Onde estavam os "insurgentes" que plantam bombas nas estradas quando o comboio do maligno Saddam Hussein passeava por elas? E acho que o velho Saddam era um déspota cruel - mas não tão cruel a ponto de milhares arriscarem seus pescoços contra ele. "Ah não Mike, eles não podiam fazer isso! Saddam os mataria!" Sério? você acha que o rei George não mataria quem se insurgisse contra ele? Você acha que Patrick Henry e Tom Paine tinham medo? Isso não os impediu de lutar. Quando dezenas de milhares de pessoas não têm a inclinação de sair às ruas e derramar seu sangue para remover um ditador, isso deve servir como uma boa pista de que eles não estão desejando participar de alguma libertação promovida de fora. Uma nação pode ajudar outro povo a remover um tirano (Foi o que os franceses fizeram por nós em nossa revolução), mas depois disso, você cai fora. Imediatamente! Os franceses não ficaram e nos disseram como deveriamos constituir nosso governo. Eles não disseram "não estamos indo embora porque nós queremos os seus recursos naturais". Eles nos deixaram à nossa própria sorte e nós levamos seis anos para fazer uma eleição depois da partida deles. E daí tivemos uma sangrenta guerra civil. Isso foi o que aconteceu e a História está cheia desses exemplos. Os franceses não disseram: "Oh, é melhor ficar na América, de outro modo eles vão se matar uns aos outros discutindo essa história de escravagismo". O único caminho que leva uma guerra de libertação ao sucesso é ter por trás dela o apoio de seus próprios cidadãos - e um numeroso grupo de Washingtons, Jeffersons, Franklins, Gandhis e Mandelas liderando a insurreição. Onde estão esses faróis da liberdade no Iraque? Essa é uma piada e tem sido uma piada desde o início. Sim, nós eramos a piada, mas com 655.000 iraquianos mortos como resultado da nossa invasão - segundo a Universidade John Hopkins - eu acho que a piada de mau gosto agora é deles. Pelo menos eles foram libertados, permanentemente. Por isso não quero ouvir nenhuma outra palavra sobre enviar ainda mais tropas (acorda Estados Unidos, John McCain está maluco!), ou sobre "realocá-las", ou esperar mais quatro meses para começar a " vencer o prazo" delas. Só existe uma única solução e ela é simples: retirada! Agora. Comecem hoje à noite. Vamos cair fora de lá o mais rápido que pudermos. Quanto mais pessoas de boa vontade e consciência não quiserem acreditar nisso, quanto mais mortes nós teremos para aceitar a derrota, nada poderemos fazer para reparar o dano que cometemos. O que aconteceu, aconteceu. Se você dirigiu bêbado, atropelou e matou uma criança, não haverá nada no mundo que você possa fazer para devolver a vida àquela criança. Se você invadiu e destruiu um país, lançando o povo a uma guerra civil, não há nada que você possa fazer até que a fumaça dissipe e o sangue derramado seque. Então, talvez, você possa acordar e ver a atrocidade que cometeu e depois ajudar os sobreviventes a tentar melhorar suas vidas. A União Soviética caiu fora do Afeganistão em 36 semanas. Saíram assim e tiveram perdas pesadas na retirada. Eles compreenderam o erro que cometeram e removeram suas tropas. Depois, veio uma guerra civil. Os maus venceram. Mais tarde, nós derrubamos os maus e tudo viveu melhor depois disso. Veja! No fim, a coisa funciona! A responsabilidade pelo fim dessa guerra cabe agora aos democratas. O Congresso puxa as cordinhas e a Constituição diz que só o Congresso pode declarar a guerra. O senhor Reid e a senhora Nancy Pelosi têm agora o poder para colocar um fim a essa loucura. Se fracassarem nisso, a ira dos eleitores recairá sobre eles. Nós não estamos brincando senhores democratas e se vocês não acreditam em nós, toquem em frente e continuem essa guerra por outro mês. Nós lutaremos contra vocês ainda mais forte que fizemos contra os republicanos. A página de abertura de meu site na Internet tem uma foto de Nancy Pelosi e Henry Reid, feitas a partir de fotos de soldados americanos que morreram lutando a Guerra de Bush. Mas que será a partir de agora a Guerra de Bush contra os Democratas, a menos que alguma outra rápida ação seja tomada. Essas são nossas exigências: 1 - Tragam as tropas para casa já! Não em seis meses. Agora! Deixem de procurar um meio de vencer. Nós não podemos vencer. Nós perdemos. Às vezes se perde. Essa é uma dessas vezes. Sejam corajosos e admitam isso. 2 - Peçam desculpas a nossos soldados e façam melhor. Digam a eles que nos desculpem porque eles foram usados para lutar uma guerra que não tinha nada a ver com a nossa segurança nacional. Nós precisamos assegurar que cuidaremos deles e que eles sofrerão o mínimo possível. Os soldados incapacitados física e psicologicamente receberão os melhores cuidados e uma compensação financeira significante. As famílias dos soldados que morreram merecem as maiores desculpas e precisam ser cuidadas para o resto das suas vidas. 3 - Devemos nos expiar das atrocidades que perpetramos contra o povo do Iraque. Há poucos males piores que fazer a guerra baseados em uma mentira, invadir outro país porque você quer o que é deles e que está enterrado no solo. Agora muitos mais irão morrer. Seu sangue estará em nossas mãos, não interessa em quem votamos. Se você paga impostos, contribuiu para os 3 bilhões de dólares por semana que gastamos para levar o Iraque para o Inferno onde está o país agora. Quando a guerra civil tiver terminado, nós deveremos ajudar a reconstruir o Iraque. Nós não podemos nos redimir se não fizermos isso. Por último, há uma coisa que eu sei. Nós, americanos, somos melhores do que as coisas que fizeram em nosso nome. A maioria de nós ficou estarrecida e zangada com o que aconteceu em 11 de setembro e perdeu a cabeça. Nós não pensamos direito e jamais olhamos um mapa. Porque somos mantidos na estupidez graças ao nosso sistema patético de educação e à nossa mídia preguiçosa, não sabemos nada de História. Nós não sabemos que somos os caras que financiaram e armaram Saddam Hussein por muitos anos, inclusive quando ele massacrou os curdos. Ele era o nosso cara. Nós não sabíamos o que era um sunita ou um xiita, sequer havíamos escutado essas palavras. De acordo com o National Geographic, 80% dos adultos do nosso país não sabem localizar o Iraque no globo terrestre. Nossos líderes jogaram com nossa estupidez, nos manipularam com suas mentiras e nos amedrontaram até a morte. Mas, no fundo, somos um povo de bom coração. Aprendemos devagar, mas a bandeira de "missão cumprida" nos atingiu de modo ímpar e cedo começamos a fazer algumas perguntas. Depois, começamos a ficar espertos. No último dia 7 de novembro, nós ficamos loucos e tentamos consertar nossos erros. A maioria agora conhece a verdade. A maioria agora sente uma tristeza e culpa profundas e uma esperança de qualquer coisa que seja feita, será melhor e colocará tudo nos eixos. Infelizmente, não é assim. Então precisamos aceitar as conseqüências de nossas ações e fazer o melhor para que o povo iraquiano possa até pensar em pedir auxílio a nós no futuro. Pedimos a eles que nos perdoem. Pedimos aos democratas que nos escutem e que saiamos do Iraque agora! Do seu, Michael Moore".
A Vitoria de Caçandoca
Antiga área quilombola é desapropriada pela Justiça DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Numa decisão inédita, a Justiça Federal em Taubaté (130 km de SP) desapropriou uma área em Ubatuba, no litoral norte paulista, para transferir a posse a uma comunidade quilombola. De acordo com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a desapropriação é irreversível. A Urbanizadora Continental, antiga proprietária das terras, pode apenas questionar o valor da indenização (de R$ 4,1 milhões). A decisão beneficia a comunidade Caçandoca, da qual fazem parte 53 famílias de descendentes de escravos de uma fazenda de café que funcionou até o século 20. A comunidade ocupa uma área de 890 hectares, dos quais 210 hectares eram reivindicados pela Urbanizadora Continental. A decisão da Justiça Federal, concedida anteontem, atendeu a uma ação de desapropriação movida pelo Incra. A posse foi transferida ao instituto, que agora a repassará em definitivo à associação que representa as famílias da Caçandoca. (FÁBIO AMATO)
16 Dezembro 2006
Instruções para Agendar Casa
1. Historico
A Comunidade JOSÉ CARDIJN existe deste 1980 e seus membros reúnem-se pelo menos a cada dois meses em Santos, São Paulo, Campinas, Jacareí, São José dos Campos, mas o principal lugar de encontro se dá em Ubatuba - Litoral Norte do Estado de São Paulo, exatamente no bairro do Sertão da Quina, uma pequena ex-aldeia de caiçaras. O Sertão da Quina é mais do que um belo lugar para o descanso e o lazer. Ele foi, na verdade, o lugar de inspiração e criação da Comunidade JOSÉ CARDIJN por parte de um grupo de católicos, nos anos 80, que aprenderam com a gente pobre e unida do Sertão da Quina que a construção de um mundo melhor também passa por gestos cotidianos simples como a espera e a luta pela posse da terra, a construção dos recursos básicos como o Centro Comunitário, o Posto de Saúde e a Igreja. Para tanto, naquela época entre outros esforços, os moradores do Sertão da Quina criaram o "Bar do Povo", onde as pessoas serviam-se, pagavam e faziam o troco sem a presença de um proprietário ou empregado. Uma lição de união e respeito. A partir de então em seus encontros e reuniões passaram a nutrir o sonho e a esperança de respeitosamente tomar parte da vida do povo do Sertão da Quina, apoiando-o em seus sofrimentos e lutas, como também em suas vitórias e fracassos, enquanto que, de maneira mais próxima, entre si tentariam viver uma experiência comunitária para celebrar e partilhar as iguarias, os mutirões, o lazer, a espiritualidade das lutas, a reflexão, a oração, o consolo embora a cada membro era reservado o direito de vivenciar a sua diferença.
Nestes anos de existência, admitiu novos membros de outras orientações religiosas que depois de acompanhar a vida da Comunidade tornaram-se seus membros ativos, afinal uma das inspirações dessa comunidade também é o ecumenismo. A Comunidade JOSÉ CARDIJN é composta de metalúrgicos, petroleiros, professores, trabalhadores da área da pesquisa, estudantes, aposentados, etc.
Pela Comunidade JOSÉ CARDIJN já passaram:
§ Cooperados da Cooperativa de Catadores de Papel e Papelão de São Paulo;
§ Grupo de Mulheres de São Francisco Xavier;
§ Pastoral do Menor;
§ JOC de Campinas e da Baixada Santista;
§ Movimentos Sociais de Osasco;
§ Petroleiros da São José dos Campos,
§ CEDECA - Centro de Defesa da Criança e Adolescentes;
§ Pastoral da Juventude da Diocese de São José dos Campos,
§ Grupo Anjos da Rua da periferia de São José dos Campos,
§ Acampamento Conquista de Tremembé do MST
§ Outros grupos mais. Nossas principiais ações são:
§ Mutirões de construção da casa;
§ Mutirões ecológicos e gincanas com o povo e as crianças do Sertão da Quina;
§ Participação efetiva na construção e levantamento de fundos e verbas (junto a entidades alemãs) para construção da Igreja do Sertão da Quina;
§ Participações em assembléias do bairro para tomada de decisão como por exemplo a questão do serviço da água, Centro Comunitário, o Posto de Saúde;
§ Programas de excursões, passeios e atividades para grupos de pessoas que de outro modo não poderiam usufruir este tipo de lazer;
§ Participação no Fórum Social Mundial de 2002, 2003, 2005.
§ Realização do Forinho de Ubatuba “Encontro na Casa de Emaus”.
2. LOCALIZAÇÃO:
A casa está situada entre cachoeiras, rios, lagos e uma boa reserva de floresta do Parque Estadual da Serra do Mar na serra que fronteia a praia de Maranduba, na localidade Sertão da Quina, no Município de Ubatuba - SP.
Seu acesso é pela Rodovia Rio-Santos, no trecho a meio caminho entre Caraguatatuba e Ubatuba, a altura da praia de Maranduba; Aí se entra pelo Largo do Sapé (onde há um centro de comércio com farmácia, padaria, supermercado e açougue) e segue-se por estrada até o bairro Sertão da Quina (cerca de 3 Km). Há um ônibus urbano circular (Ubatuba – Maranduba) que passa pelo Sapé e sobe até o Sertão da Quina. Chegando ao Sertão, toma-se a rua onde está a comunidade católica (uma igreja de pedra com vidros salientes) e segue-se esta estrada por mais 600 metros, onde, à esquerda, está a casa.
As chaves ficam com Isabel que é vizinha e zeladora da casa.
3. A QUEM SE DESTINA A CASA:
A casa está a disposição (mediante pagamento simbólico) para pessoas, famílias de trabalhadores ou grupos que de uma maneira geral afinam-se com a proposta da Comunidade JOSÉ CARDIJN que precisam de um local para lazer e/ou dias de reuniões e estudos.
4. CAPACIDADE DA CASA:
Ela comporta até 32 pessoas em um ou mais grupos. Há beliches c/ colchões,. Os equipamentos de cozinha são: uma geladeira, um freezer, um fogão de seis bocas e talheres, pratos, copos e panelas para uso coletivo dos grupos.
Como vários grupos ou indivíduos podem ter reservado a casa num mesmo período, a regra nº 1 é vida comunitária no uso da cozinha e dos equipamentos da casa, compartilhando tarefas e mantimentos. Isso leva as pessoas a se apresentarem umas às outras, se organizarem para uso dos bens comuns da casa e zelarem para a perfeita conservação dos utensílios e da natureza viva que circunda a casa, com seu verde e seu riacho de águas correntes.
5. PERDAS E DANOS:
Se houver danos involuntários como quebra de copos, pratos, etc., as pessoas devem fazer a reposição imediatamente, inclusive lâmpadas elétricas que se queimam ou gás de cozinha que acaba.
RESERVA DA CASA:
Para reservar vagas na casa, a pessoa ou grupo precisa fazer a solicitação a um dos sócios efetivos da Comunidade JOSÉ CARDIJN. Este sócio torna-se então co-responsável junto às pessoas que ele indica.
A reserva dos dias depende da existência de vagas e deve ser feita com bastante antecedência solicitando ao sócio responsável que telefone para o responsável pela agenda. A reserva estará confirmada quando o responsável pela agenda receber cópia do comprovante de depósito da taxa de conservação.
TAXA DE CONSERVAÇÃO
As contas de luz, impostos, conservação da casa, os honorários da zeladora e demais gastos de manutenção são de responsabilidade da Diretoria da Comunidade. Para isso é cobrada uma taxa diária mínima de R$5,00 (cinco reais) por pessoa. Esta taxa é de valor pequeno para garantir o acesso de todos.
Aqueles que tiverem melhor condição financeira, poderão contribuir de forma a colaborar com a continuidade desta política. Crianças de até 10 anos não pagam nenhuma taxa.
PAGAMENTOS DE TAXA:
Faça o cálculo do número de dias que se hospedar na casa, multiplique pelo número de pessoas pagantes (ex: 3 dias x 10 pessoas = 30 diárias) e multiplique esse número pelo valor mínimo da diária = R$5,00. Ao confirmar a vaga na agenda da casa, essa quantia total em reais deve ser depositada na conta da Comunidade: agência do Banco do Brasil de São José dos Campos – ag. 3443-6 – operação 003 – C/C 2083-4 – em nome da Comunidade José CARDIJN. O depósito pode ser efetuado em qualquer agência do Banco do Brasil. O boleto bancário deverá ser entregue ao sócio responsável pela sua estada antes de ocupar a casa.
LEMBRETES FINAIS:
A. Deixe escrito no Livro de Anotações da casa às impressões, sugestões e avaliações suas e de seu grupo. Zele pela integridade física deste frágil Livro de Anotações. Cuidado para que as crianças não danifiquem esse livro.
B. A construção e a conservação da casa foram e são obra coletiva dos sócios e amigos. Se quiser espontaneamente doar à casa algo de útil ou belo, ou mesmo alguma quantia em dinheiro a mais, desde já agradecemos e garantimos o melhor emprego desse presente.
C. A relação harmoniosa com os vizinhos da casa é tão importante quanto uma boa estada de lazer sua e de seu grupo. Zele para manter relações de amizade e respeito com esses trabalhadores do Sertão da Quina.
Seja bem vindo
28 Novembro 2006
Dia da Consciência Negra
Olá, pessoalTenho feito uma discussão sobre a criação de um feriado para o Dia da Consciencia Negra, se alguém discordar de mim, por favor coloque seu ponto de vista, posso repensar. Hoje eu acho que propor um feriado seria um belo modo de banalizar um dia tão significativo, onde cabem diversas maneiras de se tornar um dia cívico, na melhor expressão da palavra, de se fazer um dia de protesto e mobilizações, de menções nas assembleias populares e governamentais, mas não deixem Zumbi se tornar apenas mais um feriado, sua história não merece,bem como Tiradentes ou a Independencia, tudo se torna muito ridicularizado! Mesmo entendendo que (sem ser feriado) pode ser também banalizado, como o Dia Internacional da Mulher, que no Brasil virou motivo pra comerciais de lojas Marisa, Riachuelo ou da Gold Finger, já já no dia 20 de Novembro, vamos ter propaganda de shampoo para afro descendentes.
Importante pra mim, é que o Movimento negro vive, tenha esse dia e outros, para exigir politicas de superação da desigualdade, que nas escolas professoras e alunos mestiços falem sobre o assunto! Por isso aproveitem a charge do Angeli anexa...
Um abraço a todos.
(Nilza Ribeiro)
22 Novembro 2006
HISTÓRICO:
Síntese da História e da Práxis da Comunidade José Cardjin
Compromisso, Espiritualidade, Solidariedade, Luta ao lado dos.
Oprimidos e Lazer Ecológico Comunitário.
A Comunidade José Cardijn surgiu em 1980 e seus membros reúnem-se pelo menos a cada dois meses em diferentes lugares, mas o principal lugar de encontro é em Ubatuba – Litoral Norte do Estado de São Paulo, exatamente no bairro do Sertão da Quina, uma pequena ex-aldeia de caiçaras, situada a três quilômetros da praia de Maranduba entre cachoeiras, rios, lagos e uma boa reserva de floresta do Parque Estadual da Serra do Mar.
O Sertão da Quina é mais do que um belo lugar para o descanso e o lazer. Ele foi à verdade o lugar de inspiração e criação por parte de um grupo de católicos progressistas militantes da JOC que, nos anos 80, ainda encontrava-se no cenário da luta contra a ditadura militar. Alguns dentre estes foram vítimas da perseguição e tentativas de banimento. Estes militantes descobriram que não só a luta política se fazia necessária, pois a comunidade pobre e unida do Sertão da Quina também ensinou a estes militantes que a construção de um mundo melhor também passava por gestos cotidianos simples como a espera e a luta pela posse da terra, a construção dos recursos básicos como Centro Comunitário, Posto de Saúde e a Igreja. Para tanto, entre outros esforços os moradores criaram o “Bar do Povo”, onde as pessoas serviam-se pagavam e faziam o troco sem a presença de um proprietário ou empregado.
Os ex-jocistas, em seus encontros e reuniões, além de sua militância, nutriram o sonho e a esperança de respeitosamente tomar parte da vida do povo do Sertão da Quina apoiando-o em seu sofrimentos e lutas, como também em suas vitórias, fracassos e desvios enquanto que, de maneira mais próxima, tentariam viver uma experiência comunitária-socialista celebrando e partilhando as iguarias, os mutirões, o lazer, a espiritualidade das lutas, da reflexão, da oração, do consolo, das análises e das tomadas até de posicionamentos políticos de maneira que a cada membro era reservado o direito à diferença.
A culminância deste desejo deu-se com a aquisição de um terreno e com a construção de uma casa no Sertão da Quina.
Os membros da já então Comunidade José Cardijn resolveram abrir mão dos direitos de propriedade para doar suas cotas à própria Comunidade que fora criada sem fins lucrativos; portanto, algo de inusitado em termos de registro em cartórios, pois a Legislação Brasileira garante o direito à propriedade e as cotas são de direito dos filhos e descendentes dos proprietários.
Apesar das dificuldades cartoriais, hoje, o verdadeiro dono e herdeiro é a entidade José Cardijn.
Nestes anos de existência, não obstante dificuldades e desajustes, a comunidade José Cardijn mantém vivo seu ideal através de um “caldo de encontros” que basicamente consiste na presença de ex-militantes oriundos do setor progressista da Igreja Católica, das Pastorais Sociais – sob orientação da Teologia da Libertação, da ACO – Ação Católica Operária, além de outros membros de outras orientações religiosas que depois de acompanharem a vida da Comunidade, tornaram-se seus membros ativos.
A Comunidade José Cardijn também tem a busca do ecumenismo como orientação e inspiração.
A maioria de seus membros encontra-se engajados em vários movimentos de transformação social como sindicatos e associações.
A Comunidade compõe-se basicamente de metalúrgicos, petroleiros, professores, trabalhadores da área da pesquisa, estudantes, aposentados e muitas crianças (filhos dos militantes que, espera-se levem à frente o sonho).
Os encontros, o lazer, a convivência entre seus membros, o povo do Sertão da Quina e o contato com a natureza são o ponto alto desta Comunidade, bem como o empréstimo da casa durante o ano àqueles grupos que de maneira geral afinam-se com a proposta da Comunidade ou que de alguma maneira atuam como “fermento na massa” para transformação da realidade.
Pela Comunidade José Cardijn já passaram: cooperados da cooperativa de catadores de papel e papelão de São Paulo, grupo de mulheres de São Francisco Xavier, Pastoral do Menor, JOC de Campinas, movimentos sociais de Osasco, Petroleiros da São José dos Campos, CEDECA – Centro de Defesa da Criança e Adolescente -, Pastoral da Juventude da Diocese de São José dos Campos, grupo Anjos da Rua da periferia de São José dos Campos, acampamento Conquista de Tremembé do MST (em quatro ocasiões) e outros grupos mais.
A geração jocista dos anos 40 até os 70 encontrou-se com a geração de militantes dos anos 80 (de orientação da teologia da libertação), ou seja, grupos eminentementes leigos e engajados que puderam desfrutar das mudanças da Igreja Católica na segunda metade do século passado. Sem dúvida, o método “ver, julgar e agir” da melhor herança jocista significou a formação pela ação destes militantes da Comunidade. Nessa perspectiva as contribuições teóricas dos pensadores católicos dos anos 40 para cá como Teilhard Chardin, Gabriel Marcel, Jacque de Maritein, Alceu Amoroso Lima, o padre e depois cardeal José Cardijn, Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff, Alfredo Bosi, Frei Beto e Enrique Dussel de uma forma ou de outra inspiram, por seus fundamentos, a forma do pensar desta Comunidade.
A história do engajamento e do compromisso levada quase ao martírio foi experimentada pelos primeiros jocistas de nossa Comunidade. João Batista Cândido, Albertina de Paula Cândido, Joaquim e Sônia Miranda, Jorge Cândido, Amaro Vieira e Inês, Tereza Nagy e Peter Nagy durante os anos de chumbo experimentaram o amargo da perseguição da prisão, quando no imaginário nacional e militar toda forma de luta era proibida e abominável. Um exemplo real foi à greve da COBRASMA em Osasco no ano de 1968 liderado por João Cândido e Joaquim Miranda, bem como a prisão de Amaro pelos agentes do DOI-COD; em 1995 a luta contra privatização da Petrobrás foi liderada Jorge Cândido na Refinaria Henrique Lajes no V. do Paraíba, no mesmo ano Ubiratan Neves Fazendeiro junto de outros 19 trabalhadores fundam os Sindicatos dos Correios e iniciam a luta por melhores condições de trabalho e remuneração justa, . Entre nós há ainda outros militantes do movimento social e sindical que se qualificam pela forma como intervêm em seus engajamentos; entre estes os professores Ubiratan (hoje professor) Nivaldo, Nilza, Ana Cândido, Adilson e o jornalista Luiz Cândido. Estes nomes estiveram engajados na luta pelos Direitos Humanos e pelos direitos das crianças e dos adolescentes.
Em 1991, o professor Nivaldo coordenou o Centro de Defesa dos Direitos Humanos que desbaratou pelo menos duas fazendas de regime de escravidão no Vale do Paraíba. Ana e Luís Cândido participaram ativamente da construção dos Conselhos de Direitos e Tutelar para crianças e adolescentes em São José dos Campos.
Enfim, os exemplos citados acima foram necessários porque indicam a conformidade e o significado do que seja formar na ação, embora entre os membros da Comunidade existam inúmeros exemplos de dedicação e luta.
Como pontos altos da vida da Comunidade ressaltem-se:
- Mutirões de construção da casa que hoje pode abrigar até 36 pessoas
- Mutirões ecológicos e gincanas com o povo e as crianças do Sertão da Quina Participação efetiva na construção e levantamento de fundos e verbas (entidades alemãs) para construção da Igreja do Sertão da Quina.
- Participação em assembléias do bairro para tomada de decisão como, por exemplo, a questão da água.
- Programa de excursão, passeios e atividades junto aos assentados do acampamento Conquista: crianças jovens e mulheres foram divididas em três grupos em datas diferentes para atividades coordenadas pela professora de natação Ana Cândido com participação de outros membros da Comunidade; no ano de 1996 mais de 120 amigos do MST do acampamento Conquista passaram pela casa do Sertão da Quina.
A existência da Comunidade José Cardijn – nome esse dedicado ao pai da JOC depois de
ter ocorrido lembrança de vários outros merecidos mártires – na perspectiva em que esta comunidade se encontra e com os compromissos e práxis que ela tem assumido quer ela ser um humilde neste “mundo a construir”. Estar sob a força da ditadura militar ou estar sob a força da ditadura econômica como hoje, obriga-nos a experimentar praticamente o mesmo fel de desesperança.
A diferença é que na primeira o inimigo era facilmente visualizado, ele tinha quepe, farda e patente; o segundo pode ser pior, porque se trata de um inimigo invisível de caráter múltiplo e se mostra na ideologia pseudamente igualitária do consumismo.
Quando os primeiros jocistas chegaram a casa de Emaús – casa de retiro ainda existente no Sertão da Quina – nela não se trancafiaram como se quisessem fugir do mundo. Havia naquele período do início dos anos 80 o ar da anistia e os primeiros passos para o movimento nacional das “diretas já”, havia muito que fazer embora estes militantes acumulassem frustrações, mágoas e desencantos pelo o que a ditadura promovera, mas de lá de cima da casa de retiro conseguiram olhar para baixo e aí viram e ouviram a voz do povo do Sertão da Quina. Ouviram também a voz da natureza que desabrochava luxuriante, viram e sentiram o vaivém das águas de Maranduba, ouviram as árvores, os pássaros e o cantarolar das águas dos rios e cachoeiras do sertão da Quina; ou seja, ouviram o povo e a natureza, logo então ouviram a vida e concluíram: “companheiros, a luta não passa só pelas manifestações em praças e nem pelas mudanças nos palácios e tribunais… mas também, pela capacidade de ver, ouvir e sentir a vida em todas as suas formas de manifestação”.
Portanto, lazer e luta são palavras e ações que rimam por outro tom e outro ritmo, mas, ambas servem a vida, aos sonhos e a coerência. A luta e o lúdico caminham juntos ainda que onde caiba um possivelmente não caiba o outro, mas ambos são como sol e lua, dia e noite, que nos encobrem, nos aquecem na caminhada para um mundo melhor.
Os militantes desta Comunidade nunca abriram mão de seu papel de sujeitos participativos da história, hoje alguns de seus membros fundadores não estão entre nós, Malvina, Tereza e Peter Nagy já estão no andar de cima, Taurino, Santina, Joaquim e Sônia Miranda afastaram-se da Comunidade, mas não esquecemos jamais de seu valor e de suas contribuições em todos os sentidos; através desta síntese para a apresentação de uma oficina no Fórum Social Mundial gostaríamos de encorajar a todas as pessoas que partilham da mesma esperança e dos mesmos desejos da nossa comunidade para que possam construir experiências do mesmo caráter ou até melhores e diferentes da que apresentamos.
Durante toda essa caminhada a Comunidade José Cardijn contou com a presença sábia e orientadora do irmão padre Alberto Abib Andery que em muitos momentos de percalço nos encorajou e fortaleceu-nos, a ele dedicamos esta síntese que ora apresentamos ao comitê do Fórum Social Mundial em Porto Alegre.













